terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Maldito capital
De nada valeria a vida
se o brilho imprevisível
dos nossos olhares
não penetrassem
Nas nossas almas
fazendo do nada
ou talvez por nada
nossas bocas sorrirem
Pelas belezas mais simples
mas que enchem de amor
do real valor que dinheiro
nenhum do mundo compra
Onde a moeda nacional
e os cofres estrangeiros
são cifrões desvalorizados
nas notas dessa canção
Na cifra do meu violão
por que sou coração
que canta para vencer
o que o capitalismo impõe.
Rafaela Cartaxo
Nua e crua
Eu gosto da coletividade
eu gosto de ser gente
gosto de ser
quem posso ser hoje
No pouco
ou no muito
não sou ninguém
além de mim mesma
Porque se
dinheiro muito desse
vergonha a alguém
os ricos seriam exemplo
Eu vivo do que tenho
porque aprendi a ser feliz
com o pouco que tinha
simplesmente vivi
E viver o simples
é viver a vida plenamente
sem precisar de sombras e disfarces
que só a grana pode pagar
Eu vivo nua
eu vivo crua
eu vivo a todo instante
sendo apenas eu
E isso incomoda
os surreais
não deveria eu sei
mas se incomodam.
Rafaela Cartaxo
Ritmo do amor
Há tempos meu coração
não mais batia
por amor
Foram desilusões
antigas paixões
que fizeram ele de lata
E apesar do
tanto de desamor
hoje ao invés de pulsar
Ele bate forte
como os tambores do pelô
sinos das catedrais
Coração está em carnaval
desde que tu
tu pisou na avenida.
Rafaela Cartaxo
Saqueou-me
Quando o desejo
dilacera os vasos
e a corrente sanguínea
desempenha o seu
Funcionamento com
força total
nós perdemos a noção
perdemos a razão
Desejo louco
parece rasgar a pele
todos os músculos
de tesão estremecem
Num extinto animal
como se acasalássemos
sendo tu um cão
e eu um gato
Nos devoramos
com fúria e gana
no clímax selvagem
teu membro velozmente
Me depredando enquanto
tu me saqueias
com a rigidez
do teu órgão excitado
Que explora
os meus orifícios
te satisfazendo
em meu coito alagado.
Rafaela Cartaxo
Anti-materialismo
Hoje foi tudo virado
casa toda revirada
tudo fora do lugar
Hoje não quero ter
que me ater
a essas coisas triviais
Que eu nao me importe
que nada importe
no dia de hoje
Decretei liberdade
ao meu gato pra ele rasgar
hoje a unhas e dentes
O que melhor
lhe possa parecer
estou assim
Sem medo de nada
com receio de tudo
sou confusão acertada.
Rafaela Cartaxo
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Novo mundo
Humanidade hostil
lutam contra a especie
contra a raça
ignoram a criação
Fazendo vista grossa
adoram um deus
que nada criou
além da desunião
Deixando o poeta
com menos esperança
e mais sonhos
sonhos não de mundo novo
Mas de novas pessoas
que unidas no amor e respeito
transformem o mundo velho
num novo mundo
No lar doce lar
de todos os irmãos
sem temer religião
juntos no amor e doação.
Rafaela Cartaxo
Além da cama
Estava deitada
o sono veio
sem menos esperar
eu adormeci
Já estava a dormir
quando achei de
acordar-me em teu sonho
que o universo conspirou
A paisagem ao nosso redor
era toda deserta
estávamos a sós ali
e não deu outra
Depois de tanta espera
a imagem de te ver sem roupa
me descontrolou voraz
liberou a fera que há em mim
Nos beijamos
nos amamos
carinhos trocamos
saciada estou
Agora que acordei
estou querendo repetir
tudo outra vez
seja sonho ou realidade.
Rafaela Cartaxo
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