sábado, 22 de fevereiro de 2014
Reino sem majestade
Ainda na infância lembro-me de ter escutado
adultos se referindo a pessoas
pobres como simples e as
pessoas ricas como importantes
Eu não compreendia muito bem
e talvez a pouca idade não me deixasse
analisar tão profundamente esta questão
afinal tinha tantas brincadeiras
Tinha as cercas de arame farpado
das frutíferas chácaras que eram
escaladas facilmente por
crianças teimosas feito eu
Pulávamos, corríamos entre as fruteiras
e furtávamos seus frutos
gostávamos daquele perigo seguro
onde os nossos gritos podiam ser ouvidos
Facilmente pelos nossos pais
mesmo que se por eles descobertos
levássemos muitas broncas
mas aquela expressão ouvida na infância
Titulando a ricos como importantes
e a pobres como simples
sempre me inquietou
pois veja só
Quando que um pobre é tratado
ou referido como alguém importante?
mas quando chamam alguém que segundo as suas
condições monetárias lhe qualificam importante
E ainda assim o chamam de simples
hipocritamente chega a soar como elogio
esse alguém mesmo importante (rico)
é desprendido dos seus bens
Vive simploriamente seus dias de vida
e então essa pessoa é admirada, elogiada e todos
por uma boca só falam esse fulano tem tantas posses
mas é uma pessoa tão simples
Como se o fato de alguém ter dinheiro demasiado
desse a ela o direito de ser egocêntrica
ou se achar melhor do que
as demais pessoas
Mas sera que os pobres
nunca serão mesmo importantes?
Sera que nunca seremos tratados
como seres iguais?
Queria mesmo é que todo mundo
fosse tratado feito gente e que
a unica diferença que houvesse
fosse a de identificar
Se gente boa se gente má
afinal quando Deus criou o mundo
ele não criou cartórios
mas os ambiciosos assim o fizeram
Com o coração cheio de ganância
demarcaram seus territórios
enquanto os que gostavam mesmo
da paz e da natureza
Eram caçados como escravos
para erguer propriedades
oriundas de orgulho e maldade
daqueles que implantaram no mundo
A ideia de que seu ouro e suas terras
os faziam importantes enquanto todos os outros
simples plebeus que por sua vez
nunca seriam importantes
Jamais adentrariam a realeza.
Rafaela Cartaxo
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