domingo, 14 de dezembro de 2014

Seja dono de si.














A quem pensa que engana
o ser burro que achou por tanto
ser mais esperto ou malandro
ao ponto de dizer a todos

Essa menina é incapaz!
pensaste tu que os meus dons
me abandonariam?
Quanta tolice rapaz

Nunca vi a verdade
sobreviver de mentiras
como tão pouco ouvi
mentiras tornarem-se verdades

Essa vida pode ser de cão
mas não tenho mais medo de latido
nem dos lobos que uivam
atrás do meu sangue

Nada mais temo quando
tudo que me importa
é viver bem tranquilo
sem cobrar nada a ninguém.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Delivery do amor


















Quanta mentira em teu olhar
teus lábios ao moverem-se
falaram falsas verdades
não deixei me enganar

Jamais fui enganado
sempre soube de tudo
toda verdade explicita
ao bom observador

Vendei meus olhos
para te amar
tapei meus ouvidos
para continuar a amar

Amei eu amei tudo
que você pode me dar
me saciava das tuas
loucas e poucas migalhas

Vendia meu sangue
para curar tua anemia
e no meu suor o teu corpo
desaguava sem pudor

Os desejos parecem loucos
mas loucura mesmo
é não sentir desejos
e isso nós sentimos bem

Ainda lembro teu rosto
no reflexo do espelho
tu por trás de mim
em posição de domador

Fizesse dos meus cabelos
o arreio de tua cela
E a cada vez que o puxava
pelo espelho eu enxergava

Tua cara de desejo
que me excitava sem fim
nos devaneios de quem
só usava-me por vaidade

Mas o que me importa
se vaidade ou amor
você extraiu  meu gozo
me comeu gostoso

Como quem come
a comidinha de domingo
bem quentinha em sua mesa
se me satisfaz amando ou não

Quero fazer parte
do teu menu
e no Delivery
ser chamada por tu

Pra de novo
teu sexo gostoso
me matar de prazer
pudor pra quê?

Rafaela Cartaxo



Amor a Preta














Minha preta
te quero tanto
sacode a toalha
da mesa pela janela

fazendo sinal 
de que posso entrar
para debaixo de tua saia
meu chamego aquecer suvulva

que em tua cama nua
nós vai poder com todo dengo
fazer AQUELE amorzinho
por de mais gostoso

Até nossas bichinhas assanhar
só de lambuzar meus lábios na tua boca 
parecendo fogo na palha
tu e eu no calor na quentura 

De desejo se apavorar
num fogo lascado de quente
que percorre o corpo da gente
até fazer formigar do pé a cabeça

No cafofo tesãozinho gostoso
que fez no rala rolar tudo
os meus e os teus olhinhos
sem vergonha revirando

Rafaela Cartaxo

Intensa














Como pode haver
em mim tanto desejo
se nessa existência
eu mal te conheço

Você se enraizou
em meus vasos
e por horas e horas
tuas atitudes e palavras

Coíbem a passagem
do meu sangue
eu me sinto incapaz
de mover-me

Sinto o sangue
concentrando-se
lentamente e já
nem apavora

Acabou-se o medo
de amputar pedaços
que morrem em mim
espero um dia

Depois de tanta
tristeza e agonia
ainda me sobre
alguma parte

Para quem sabe
eu te dar meus restos
porém se por ironia
eu não resistir

E desse mundo partir
quero que alegre-se
em saber que a amei
com toda verdade contida

Em minha essência
que tanto lutei contra
na tentativa de viver amena
intensidade minha condena.

Rafaela Cartaxo

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Tudo por você













Quando o assunto é você
eu ajo irracionalmente
e humanamente
perco toda razão

Mas também
quando o assunto é você
eu viajo nas emoções

Atravesso galaxias
te trago estrelas
num mergulho fantástico
furto pérolas do mar

E sem toca-la a pego pela mão
faço teus pés levitarem
numa emoção que é minha

Mas que também pode ser sua
basta deixar seu coração
bater na mesma frequência
que bate o meu acelerado

Sintoniza teu amor a minha rádio
que nunca mais deixarei
de tocar-te a alma.

Rafaela Cartaxo

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Agônico



















O sono do cansaço conspira
sobre as minhas pálpebras
avalanche que cai e pesa
vem tapar os meus olhinhos

Sem balanço estático descansa
sempre na paz dos perturbados
faz breve seu repouso involuntário

Da lavoura
da senzala
do cansaço
das horas

Em perpétuo muito trabalho
predestinados a comer racionado
homens, mulheres e crianças

Inchada nas mãos cedo trabalham
Passando o dia engaiolados
longe dessa nova civilização
não é dúbio o nosso protesto

queremos ser a bons modos
Tratados como seres racionais
mas nos forçam viver no cabresto

Em paradoxo
com as leis
que na cruel
vida real

Não favorece nenhum de nós
a não ser os patetas do poder
que porventura pensam
dever haver transferência de posses

quando suas botas bater
aí se darão conta que
acumularam tesouros errados

E verão então refletidas
imagens doloridas
do vazio de suas almas
ressecadas por falta de amor

Pedirão então a Lázaro
para molhar nem que seja
a pontinha dos seu minúsculos
órgãos fétidos leprosos

Em suas línguas a saliva imunda
que matou muita gente de fome
com suas falas traiçoeiras
faltando solidariedade a seus irmãos


Rafaela Cartaxo



quinta-feira, 13 de março de 2014

Pés calejados da vida













As pessoas precisam mesmo
se interessar mais umas pelas outras
basta refletir que agir sempre pela razão
nunca te dará a alegria da emoção

E viver sem ela é como ter passado
por essa vida de navio ou avião
enquanto aqueles que se emocionam
sentem que andar muito no decorrer da vida 

Com pés descalços e passos curtos ou largos
pés marcados de rachaduras e calos
porém pés fortes resistentes ao frio e calor

deixaram coração mole de mais 

Coração que bate a medida do sonho meu
que na realidade em que vivemos até parece uma utopia
a de que pessoas do mundo inteiro se abracem 
afetuosamente como amigos e irmãos

Dessa forma talvez as pessoas aprendessem
a sentir emoção quando lessem os livros
encontrariam nas palavras as emoções do autor
e assim não as tendo as adquiriria na arte

Por que só quem a faz são aqueles que 
viveram de mais sendo coroados de sensibilidade
pois esta só tem aqueles que durante 
uma vida emocionaram demais.


Rafaela Cartaxo