quinta-feira, 13 de março de 2014

Pés calejados da vida













As pessoas precisam mesmo
se interessar mais umas pelas outras
basta refletir que agir sempre pela razão
nunca te dará a alegria da emoção

E viver sem ela é como ter passado
por essa vida de navio ou avião
enquanto aqueles que se emocionam
sentem que andar muito no decorrer da vida 

Com pés descalços e passos curtos ou largos
pés marcados de rachaduras e calos
porém pés fortes resistentes ao frio e calor

deixaram coração mole de mais 

Coração que bate a medida do sonho meu
que na realidade em que vivemos até parece uma utopia
a de que pessoas do mundo inteiro se abracem 
afetuosamente como amigos e irmãos

Dessa forma talvez as pessoas aprendessem
a sentir emoção quando lessem os livros
encontrariam nas palavras as emoções do autor
e assim não as tendo as adquiriria na arte

Por que só quem a faz são aqueles que 
viveram de mais sendo coroados de sensibilidade
pois esta só tem aqueles que durante 
uma vida emocionaram demais.


Rafaela Cartaxo

quinta-feira, 6 de março de 2014

Eufórica












A euforia era tamanha
tão grande era
que eu metia os pés
pelas mãos

Dividir o seu amor
era deveras desesperador
no descontrole
das minhas emoções

Pus tudo a perder
perdi tudo quando perdi você
Pudera ter graça o mundo
sem o teu sorriso junto

Sem você nenhuma gargalhada
nenhuma boa risada
porque minha boca
só conhecia o sorriso

Quando sorria junto contigo
hoje em lágrimas e sem euforia
eu te espero voltar pois fez-me calma
a paciência de te esperar

Mas quer saber mesmo porque choro
choro porque acredito no dia
que meu sorriso será lavado 
pelas mesmas lágrimas que foram tuas

Cada uma por sua vez
uma a uma expressando o amor
que tanto tanto eu guardei
somente para ti.

Rafaela Cartaxo


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Meu luto


















Por Deus
não imaginas
quanto está doendo
inanir esse amor

Sentimento
ainda tão vivo
tendo eu
que sacrificar

Por não
ser permitido
que o nosso amor
tenha existido

Venho tentado
matar-te
dentro de mim
meu funeral.

Rafaela Cartaxo

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Detonador













Me pedes
para arriscar
correr o risco
de não te-lo

Posso também
vir a lhe ter
mas se não o tiver
onde detonarei

Esse arsenal
de amor
que explodirá
em mim

Já que
por tua falta
bombas serão
sim acionadas.

Rafaela Cartaxo

Teu corpo nu


















Quando localizo
o teu olhar
tenho a sensação do
corpo todo arrepiar

Gelo na mão
que desliza
o corpo inteiro
escorregando vai

Esperando
aquele beijo
abraço por trás
carinho na nuca

Sentindo teu amor
percorrer minha pele
num súbito de paixão
me enlouquece

Lentamente vou eu
cedendo as tuas vontades
me satisfazendo no teu
corpo nu bem devagar.

Rafaela Cartaxo






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Justiça divina

















O câncer destrói
o orgulho
O câncer destrói
a vaidade

Pouco a pouco
mata o ser vivente
e os que assistem
a morte do seu parente

Aprendem lentamente
que o dinheiro não tem
valor algum nas últimas horas
nem pode comprar vida

Percebem o quão iludidos
são os materialistas que querem
ser tratados como Dr. e Dra.
segundo as suas riquezas

Que nem se quer
podem impedir suas
mutações genéticas
de alastrar seu câncer

No leito do câncer
todos são iguais
ricos e pobres
definham sem piedade

Arrota agora rico
o teu hálito apodrecido
do teu câncer generalizado
na cara dos desfavorecidos

Quem levará
as tuas posses
para o plano espiritual
ninguém, ninguém, ninguém

Nada levarás
além de tua alma desnutrida
por falta do bem
que pode fazer mas não fez.

Rafaela Cartaxo

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Pout- Pourri dos versos











Quando acordei
ao ver o sol
lembrei de ti
em como
os teus olhos
me desnorteiam
assim como o sol
me impacta a visão.











Vivo mudando
assim como o camaleão
que muda de cor
lagarta que vira borboleta
porque tenho certeza
que se rato pudesse
virava morcego.












O mundo
sem romantismo
em carnificina acabará
a vida sem poesia
se perderá em seus versos
que controverso
mataram os poetas.





Não vou chorar
porque lágrimas
não regam jardins
nem lavam minha alma
apenas borra maquiagem
e eu não quero
ficar amarrotada
não hoje.




Talvez por não ter encontrado
um amor dos contos de fada
fui inventando e escrevendo
os meus próprios faz de conta
É dessa vez e faz acontecer
doando os meus melhores
personagens a amadores
afinal o meu capital
não pagaria artistas globais.










Ser diferente
não significa estar errado
mas apenas querer viver
suas próprias vontades e escolhas
ao invés de consolar-se
com as já existentes
diferenças internas
refletem o externo.










Se adormecesse
dentro de mim
hesitaria acordar-te
dormiria contigo
sonho com sono
sem querer acordar
sede do eterno.











Pouco a pouco
vou me acostumando
a dormir sozinha
ando cansada de dividir
a minha noite e cama
com estranhos conhecidos
pessoas e seus disfarces
não me atraem afinal
nada além da essência
me faz atraída.









Como uma abelha
roubo teu néctar
me satisfaço
vôo embora
sacudindo
o teu pólen
longe de mim.


Rafaela Cartaxo