quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Inesperado
Depois dos
tantos perigos
avisei meu coração
nada de paixão
Daí você vem
me aparece
para eu entender
coração não obedece
Nem durante
a vida e
nem depois
da morte
São afinidades
inexplicáveis
que deixa a
alma inquieta
Memórias que
são contidas
no desconhecido
elo dos vivos
Que unem seres
pelas chamas que
a pele não queimam mas
na alma incendeiam.
Rafaela Cartaxo
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Bem querer
As vezes te sinto
tão perto...
Outras vezes
tão distante...
Mas não importa
se de perto
ou de longe
eu te sinta
Quando o seu
amor me fez ser
a mulher que
sempre sonhei
Tocou meu coração
tocou meu corpo
minha alma
me fez tão bem
Não acredito
na coincidência
do mero acaso
nada é por acaso
Mesmo agora
sem tu aqui
continuo a
bem te querer
Querer te desejar
mais vezes seja
na rua ou chuva
a molhar amor.
Rafaela Cartaxo
Pista de pouso
As horas voam
os dias passam
eu continuo aqui
nessa vontade de você
Que só descansa
quando tu vens
na minha direção
e me abraça
Todos os dias
o que mais quero
além de te amar
é te amar de novo
É ver você chegar
sempre com amor
em meus braços
o nosso amor
Mexeu muito comigo
mexeu muito contigo
tanto que meu olhar
quando te ver
Faz pista de pouso
pra o teu olhar
sorrindo olhar
aterrissar no meu.
Rafaela Cartaxo
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Escolhas
É muito difícil lutar
contra própria natureza
quando somos colocados
aqui nesse planeta
já trazemos a carga
das escolhas feitas
por nosso livre arbítrio
sei que errar é a coisa
mais fácil do mundo
que difícil mesmo é
decidir reparar os erros
mas a dança das cadeiras
nossas vidas que
hora sentada
outra hora em pé
nos ensinou a fazer samba
mesmo em pé
a gente dança
a guerra escondida
nos nossos dias
de vida...
são os atributos
que nos levam a paz
que mesmo a ver
todo esse infortúnio
a olhos nu acontecer
sem que nossa gente
pudesse ter adquirido
conhecimento pra compreender
me faz impotente por um instante
filtro todo pensamento negativo
logo medito perfumo o amor
vaporizado da mente
e inalado pelas vias olfativas
que cheiro coração aciona
sentidos que são sem sentido
aqueles que não enxergam
além do próprio umbigo
tenho a certeza aqui comigo
que sorte ou revés
não mudo de estrada
nada me faz ao invés do bem
por isso não importa
quanto mal a mim mal faça
porque minha natureza
é mais forte que eu
não deixo que mutilações
ao coração mutilem o sorriso
que possa curar muitos outros.
Rafaela Cartaxo
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Ganância Capital
Eu ando tão confuso
não sei se sou homem
nem sei se sou mulher
mas sei que sou gente
que tento piamente
o bem praticar
não sou santa
por isso não hei
de me amarrar
a nenhum altar
já faz tempo
que não desejo
o buquê da noiva
nem o véu de tule
e as únicas vezes que
me visto de branco
é quando uso
meu jaleco
Raio-X enxerga
o que há dentro
do corpo humano
mas quero ver
inventarem algo
que enxergue o
interior das almas
me alertaram
que a radiação
pode matar...
mas o que
nessa vida
já não cheira
a morte...
quando a vida
já não é natural
os pintinhos
já não nascem
das galinhas
a horta
foi envenenada
para os legumes
os frutos
as frutas
perderem aquele
sabor que só ficou
na lembrança
ainda da velha
infância que se
apressou em crescer
tudo vem sendo
modificado para
agradar aos olhos
enquanto as
nossas células
sofrem mutações
por falta de
nutrientes extintos
pela ganância
do capitalismo.
Cristais
Desejos me queimam a pele
incendeia os meus lençóis
ao lembrar olhar
olhos de cristais
Não sei se eram
topázio ou esmeralda
mas chegaram a mim
com poder ametista
Me dominou
o brilho precioso
daquele olhar teu
enciumou as estrelas
Visto que nem
o céu eu olhava
já que dois mundos
me penetravam
Eram teus olhos
em supra hipinose
globos oculares
a me impressionar.
Rafaela Cartaxo
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Laboratório
Certo dia entrei em minha casa
E na mesa plástica encostada
no Canto da parede peguei
minha garrafa térmica
cor-de-violeta que já
tinha o café gostoso
da Maria flor de A marí lis
minha Maria assim como
a flor-de-lis me representa
a pureza de alma e honra
és tu para mim Amarílis
açucena, flor-de-lis...
adornada de lealdade e amor
Enquanto o sabor do café
Apreciava também olhava
Tudo ao meu redor que
Minhas retinas alcançavam
Prestei atenção as escolhas
Dos meus objetos e vi tanta
Mais tanta coisa desconexa
Que fui indagando-me assim:
Dois pufes, um sofá, cadeira roxa
Manta com garças estampam
O sofá que esconde a arte que
O amigo mais fiel que o homem
Cavou só por cavar já que
Não sabe quanto custou
Agradeço-te meu Bob meu amor
Bom seriam os humanos
Se tratassem as coisas materiais
Com menos valor e sendo assim
Passariam a tratarem-se
Entre si com mais amor
Porque é nele que está
O verdadeiro valor...
Continuei a olhar
Vi um telefone fixo
Sem funcionar com
Design de antiguidade
Um pedaço de granito
Quebrado de quina
Servindo de mesa
De canto enquanto
Protegia o vaso branco
De derrubar as flores
Sem vida vermelhas
E seus galhos secos
Que haviam sido coroados
Com uma peça de artesanato
Que havia comprado
Em Tibau do Sul
Daquele artesão gaúcho
como quero voltar...
ali de novo para comprar
Seus móveis de bambu
então sentei no banco amarelo
que faço de escada
para alcançar meus armários
que foram projetados
para quem tem mais de
um metro meio meio sem jeito
banco amarelo café na boca
diante da estante de livros revirada
e daquela tv de LCD 32
em câmara lenta meus olhos
lentamente filmavam
reportando a mim meu pensamento
sonoramente eu me falei:
que engraçado ser desconexa!
já que não me sinto várias pessoas
mais apenas uma que já viveu
em diferentes épocas...
Então olhei mais acima
Vi em um lugar privilegiado
No alto da minha casa
A tela de um pintor!
E não era de um pintor
Historicamente ou midialmente
Famoso “era do artista”
Que sem recursos tentava expor
Na esquina de uma praça qualquer
Vendendo arte a preço possível
À mulheres e homens de boa fé.
Rafaela Cartaxo
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